Friday, January 22, 2010

Welcome to Faveland

As artérias da Caracas do futuro são um grave capricho, para a minha urbanização pode entrar pelo frente, ou como vindo de Guatire-Guarenas, ou pela Lomas (acima), mas vir daí não é o mais inteligente, muito mais se o sol é ocultado, a única forma de manter-se vivo (se entrar pela Lomas), é aguardando que o último ônibus saiga, e deitarse no chão entre a calçada e os esgotos, ali naquele buraco onde ninguém pode ver nada e protegido pelo asfalto, e aguardar o amanhecer, enquanto suportar balas, bandos armados, vans com gângsters procurando diversão, e após o nascer do sol, caminhar cuidadosamente a pé, veículos são, as vezes, presos na lama da urbanização que está no caminho. 

Eu falo pela experiencia, um día uns amigos mexicanos e eu fuimos  caçar mirmidons para a montanha, pegamos aquele caminho, e perdimos quase tudo, caçamos na escuridade pois tinhamos perdido o nosso equipamento de caça tentando passar pela lama da Lomas, uma aventura que não queremos repetir.

Sabemos também que a coisa é quente naqueles arredores, ao cair do sol, os vendedores que trabalham no bairro recolhem as suas mercadorias em 5 minutos e se vão para um lado do bairro, ficar no lado oposto é muito provocante e muito mais se é dia de eleições, provavelmente um acabaria temporariamente raptado ou em desespero para fugir dos combates dos bandos armados, a luz do sol não é uma garantia de vida em aquela área onde nem o exército mexe.

 
Suficiente sobre o norte, porque a minha aventura remonta-se ao sul, deixando a urbanização (se atreviu-se a entrar pela parte superior, ou norte).


Petare na noite parece um rally, se você ver ou andar para trás perdendo o tempo corre um maior risco de perda a vida, já um par de vezes eu tive que ir de acordo com umas indicações para onde ir, por isso que eu preciso ir pelas portas, e saltar telhados, felizmente para mim sempre me acompanhou a madrugada, ainda que não foi nenhum passeio aquela experiência.


Petare não é inteiramente protagonista neste escrito, Petare é realmente magico, tinham algumas áreas dentro dele que poderiam ligar para lugares que você nunca pensou existiam nesta cidade, lugares como paraísos, ou infernos mesmo, incluindo alguns dos que o Criador iria fugir se for, todos com um sentiso mágico, por isso um não se sente enganado ou numa alucinação. Desta vez eu parei, sei lá como, num lugar de terror ...


A filial de Rio de Janeiro, a casa das mais temidas favelas, 5 das mais perigosas do mundo estão lá. Foi tipo 5 da tarde e eu estava com o meu amigo Fabiano explorando o lugar, se bem eu lembro não procuravamos algo específico, apenas curioso, e eu decidi sair antes da noite cair, mas nestes dias as horas pulam, correm, voam, com capricho soberano, e rapidamente a noite caiu, então fomos fugindo dos tiroteios, gangues armadas montando motocicletas em grupo como sempre. Primeiro no carro, sei lá por que razão não achavamos a saida daquele lugar, e já era quase meia-noite, em cima de nós alguem perseguia nós, sei lá o qué queriam ...


Mas o lugar era relativamente calmo, todos tinham-se ido embora a dormir, então tinhamos ruas escuras, luzes apagadas, zero ruído salvo algum bêbado vagabundo cuja garrafa acaba e cai quebrando-se no chão, alguns outros criminais soltos que olhavam-nos ansiosos, como sinalizações dizendo "aqui não venhas" ... ou tal vez "aqui é, vem", depende de onde você o veja. Havíam tambem uns postos de gasolina (gas stations) improvisadas onde se vendía combustivel barato, já nós precisavamos, sendo que aquelas gas stations trabalhavam as 24hs, num lugar tao perigoso, pensei que seria boa ideia ficar alí ate o sol sair…Por que nesta cidade aparentemente só pode aguardar o Sol sair? Finalmente foi apagada essa possibilidade, não me permitiram dormir deitado entre a calçada e o desaguamento, não me lembro se me deu nenhum motivo, mas Fabiano e Eu tinhamos que manter a procura dum caminho para sair do lugar inóspito, a mais amarga de todas as favelas.


Foi a 1, e novamente enquanto estávamos com combustível esgotado, voltávamos para uma estação de combustível de emergência e, em seguida, observamos algo perturbador, pensávamos estar perdidos, mas escalábamos uma montanha, e fomos muito alto e, em seguida, Fabiano diz:

Deve haver uma maneira de voltar para à cidade.


Então, quem atendía a improvisa estação de combustível escreveu:


Tenho guardada uma moto guardada, eu vou te dar.


Eu não gostei da ideia, porque eu não sabia dirigir moto, mas eu não tinha outra opção, não poderia ficar até o amanhecer escalando uma montanha, por isso, tomei o veículo, não era realmente seguro dormir na calçada como pensei, ou eventualmente enfrentar um criminal, então adeus Fabiano e adeus gasolina, ele ascendeu o carro e largou.


Baixar da favela foi uma experiência sem igual, eu não sabia ao conduzir uma moto e assistia coisas que nem Eros Ramazzotti provavelmente tem visto, primeiramente eu devia estar atento aos espelhos retrovisores, quem sabe se eu ainda me perseguiam, eu sabia que o veículo fazia muito barulho, portanto, quem estivesse à espera no canto próximo devia estar atento com quem estava chegando (eu na moto), portanto, eu não devo perder aceleração, a maior parte do tempo era de baixada, mas por vezes foi semelhante a uma corrida de Motocross, tive que pular sobre alguns telhados de zinco das casas mesmo, por vezes, não havia caminho, ou era de terra ou rochosos até assustar, num canto onde eu tive que dobrar, Eu vi uma pessoa pedindo ajuda, gritando de dentro duma gaiola feita de paus, era como uma cadeia improvisada onde tem ele temporariamente raptado, ainda que ele pedia ajuda, não era pra confiar, e tendo aquela impressão continuei o meu caminho, oh céus ! A descida é íngreme, desta vez a pulada que di com a moto fez quicar num telhado de zinco de outra casa, mas caindo com segurança, sorte de principiante, eu fugindo daquela montanha e o relógio adiantandose, e como se de cortar a viagem fosse, fui capaz de retornar para a cidade mais rápido do que você pensaria.


Uma vez de volta no meu predio, e à espera do elevador, pergunto-me se toda aquela experiência servirá para alguma coisa.


Quando o sol saiu, decidi ser motorista de ônibus, os outros condutores nao gostaram disso, e eu para perturbar a vida deles ainda mais, eu ficava aparcado em frente das paradas deles quase sem passageiros, colidava os ônibuses deles, mas eles me desinflaron os pneus da minha unidade, de jeito que na altura da igreja tive de voltar a pé.

Fim ~ ~

é ficção.

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